segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Inocente
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
O Fiel
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
A velhinha
O seu corpo franzino fundia-se com os cobertores, com a
cama, com a sala. O espelho, esse reluzia e assombrava-me.sexta-feira, 31 de agosto de 2012
O Despertar
Tudo
naquela casa continua na mesma. Aquele sossego, aquela calmaria, aquele
conforto, aquela quentura. quarta-feira, 25 de julho de 2012
Lembras-te
terça-feira, 3 de julho de 2012
Memórias da infância
Era Inverno.
A tarde estava fria.
A chuva batia nas vidraças. Trovejava.
Os trovões eram fortes e secos. Faziam faísca.
A minha mãe sentada num banco de madeira na cozinha, tricotava.
A minha tia rezava.
Na janela do meu quarto avistavam-se os campos ensopados da chuva.
A nudez das árvores entristeciam-me. O vento gemia. A casa velha e grande era assustadora.
O choro que se ouvia era do meu sobrinho.Um bebé. Espreitei-o.
A minha tia continuava a murmurar uma Avé Maria e um Pai-Nosso. As rezas faziam com que o temporal fosse para longe, para as serras ou para os lugares desertos - dizia ela várias vezes e eu acreditava.
Os panos de renda tricotados pela minha mãe estavam quase terminados.As ruas estavam desertas. O vento soprava.
O bebé estava acordado. A minha mãe preparava um biberão de leite.
Eu observava atentamente os gestos cheios de ternura com que ela lhe dava o leite.
Deitava o bebé no berço enrodilhado nos cobertores. Ele dormia.
Eu tinha muito sono e enrolava-me junto dela a saborear os seus carinhos.
E a menina amadureceu ao ver
tanto mundo e tanta coisa. Viu e sentiu demasiado sofrimento nos povos, nas crianças, nos idosos, no ser
humano.. Assistiu a muitas injustiças e desigualdades sociais. Descobriu o quão
era terrível viver longe da sua terra. terça-feira, 29 de maio de 2012
A ultima viagem
A ultima viagem
Estes não aguentaram as vicissitudes daquele tortuoso e sinuoso caminho. Tempestades, frio, chuva, calor, imundície do cheiro a morte,o odor a sangue, a terra seca, dura, fria, pastosa, cruel, inconstante, movediça, lamacenta, alagadiça e cinzenta…e não resistiram e foram sugados pelo solo, comidos e corroídos, carcomidos e consumidos. MALDITA VIAGEM, pensava o passarito.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Usar a nossa liberdade
Ao falarmos em liberdade é inevitável não
falar nos direitos humanos, tema este que abrange um leque muito vasto de
assuntos.segunda-feira, 7 de maio de 2012
Foi apenas um sonho
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Reflexões-Vinicius de Moraes/júlia Barbosa
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre."
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Conto - Mundos Paralelos
Ás 11h despedi-me dele e fui ter com a minha amiga de infância Carolina. Conversamos longamente sobre as nossas dúvidas existenciais, angústias, tristezas e segredos. Sei que esta amizade nunca vai acabar. O que às paredes confesso também o posso fazer com ela.
Às 13h 40 m fui almoçar com o meu companheiro. O almoço estava óptimo e revivemos um pouco o romantismo, que se vai perdendo por vezes durante o nosso quotidiano.
Às 15h 00 estava caminhando á beira mar e a desfrutar daquele cheirinho gostoso a maresia. Nesta caminhada acompanhava-me uma pessoa amiga que me conhece desde que nasci. Mariana tem histórias fantásticas relativamente á sua vida profissional. Como viaja muito em trabalho conta-me as maravilhas que vai conhecendo de outros países.
Às 17 h fui fazer compras a um “lojinha” e encontrei uma colega de profissão. Maria é por natureza muito bem disposta. Tomamos um café e fiquei a par dos seus sonhos e das suas desilusões. Mas conheço-a bem e sei que ela ultrapassa qualquer adversidade.
Às 20h esperava-me em casa alguns amigos e família para jantar. Não existe melhor remédio para descontrair que um bom sarau entre pessoas que estão predispostas para cultivar um bom ambiente familiar e amigo.
Antes de me deitar conversei com o meu filho João que é um bom ouvinte e fiquei com a certeza que ia ter uma boa noite.
Antes de dormir rezei a algo que me transcende e que me dá tranquilidade.
Cheguei a uma conclusão naquele dia ENCONTREI UMA PESSOA PERFEITA, nas anedotas do Pedro, na cumplicidade da Carolina, algo no meu companheiro, encanto nas histórias da Mariana, na boa disposição da Maria, no bom ambiente familiar e de amigos, no amor que sinto pelo meu filho e finalmente na fé que ainda tenho em algo que “je ne sais pás”.
Mas nada é perfeito. Se este dia se repetisse muitas vezes também cansar-me-ia e deixava de ter a magia que teve. Esta aconteceu porque foi um “momento” único.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
A Sereia Ella
Erguia os seus braços longos desenhando com eles ondulações no ar. Abria e fechava os olhos lentamente e em seguida mergulhava nas profundezas do mar durante uns segundos e reaparecia novamente ainda com mais força repetindo várias vezes as mesmas façanhas.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Flor
Na rua poucos transeuntes se viam, alguns indigentes e outros para quem a vida também não sorria.
Caminhava ela pela rua tão inerte e sozinha .
Abandonada por todos e por ninguém.
Não chorava nem se lamentava. Afinal a vida era apenas dela. Somente dela.
As lágrimas queriam brotar dos seus olhos mas não jorravam.
Isso não lhe era permitido. A vida é para ser vivida e não compreendida.
Flor, assim se chamava. Seu pai tinha lhe dado este nome porque ela era tão ou mais bela que uma flor.
Menina de uma rara beleza e depois Senhora.
A inveja de todas as mulheres e o sonho de qualquer homem. E foi esta mesma beleza que a traiu. E neste silêncio meditava Flor. E nesta profunda e triste solidão rezava .
Recordava a sua terra. Uma aldeia pequena… onde a mesquinhez e a fealdade de espírito prevalecia, não se podia ser um cisne ou um pato feio mas sim um pato igual a tantos outros. Igual seria a palavra de ordem , a preferência e o ideal daquele lugar e daquelas pessoas.
Mas Flor não era o ideal daquela gente. Incomodava, importunava, afligia as esposas e os maridos mais obedientes.
Mesmo assim depois de todas as adversidades ainda sentia saudades dos seus conterrâneos, do mar, daquela calmaria, da terra quente e do sol a escaldar, do correr e saltar naquelas ruas estreitas. O cheiro a doces confecionados pela tia e pela mãe; do barulho dos primos e dos carinhos do pai. Terra linda e brava, a sua terra.
E as lágrimas corriam-lhe agora pelo rosto cansado e envelhecido pelo tempo, porque a saudade apertava e a vida furibunda a engolia.
,
E assim Flor chorava,gritava baixinho, para não ser ouvida, para não incomodar o ideal, o normal, a rotina daqueles que não querem ser incomodados, nem querem ver nem saber de outros mundos em que o sol chega apenas por uma pequena brecha.
E assim percorria a cidade tão fria e gelada, onde o vento acariciava as suas pernas tão magras e secas.
Aqui à noite na cidade é nefasto e pecado sentir ou amar. Aqui, na cidade, nestas horas escuras e sombrias apenas se pode desejar e satisfazer apetites ou apenas determinados anseios, aqueles que no quotidiano e à luz do dia são proibidos e temidos.
Flor já não era aquela flor de outrora que saciava essas almas em busca de um pouco de amor, outras de um simples desejo ou de adrenalina. E assim a sua alma e o seu corpo foi sugado e engolido por outras almas, almas estas, também perdidas.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Na minha aldeia
quarta-feira, 14 de março de 2012
Comentário do filme Marilyn Monroe
Marliyn Monroe um bom filme que bem poderia ser realizado por Woody Allen. Podemos ver nesta película a fragilidade e a baixíssima auto-estima de um ser humano. Completamente carente e ávido de afetos. O facto de não ter tido uma família e ter sido abandonada pela mesma em tenra idade vai ser determinante em relação ao seu futuro. M.M busca constantemente e de uma forma desesperada por um porto de abrigo. Sempre dependente da opinião dos outros que só enxergam “ um corpo” levam-na ao consumo de drogas e a estados depressivos, prejudicando-a profissionalmente ao ponto de se esquecer dos textos dos filmes que interpreta. Segundo os realizadores que trabalharam com ela o seu maior obstáculo é ela mesma. Falta de confiança na sua própria pessoa, busca incansavelmente no exterior aquilo que só poderia encontrar no seu interior. Tinha tudo para vencer no mundo da representação e isso conseguia-se verificar quando ultrapassava os seus próprios fantasmas e passava de imediato a encarnar soberbamente as personagens. Alvo permanente de inveja por parte das mulheres, cria ao seu redor ainda mais atritos e problemas. A sua beleza estonteante e arrasadora para os homens e insuportável para as mulheres ofuscaram por completo a atriz que tinha dentro de si contribuindo também para a sua destruição.A sua incrível ingenuidade e transparência, torna-a num livro aberto ao mundo o que foi decisivo para a sua entrada no inferno. M.M. não sabia que o “inferno são os outros” – Jean-.Paul.Sartre ou nós mesmos.
terça-feira, 13 de março de 2012
Confissão
Perdoa-me querida orquídea
Agora que olho para ti no jardim da minha casatão só e tão linda
e tu olhas para mim ternamente mas sempre preocupada
Agora que não podes rir nem falar
sentes uma grande dor e eu também
esta dor que eu sinto
esta dor que tu sentes
dentro do nosso peito
porque outrora rias e outras vezes choravas
e que bem eu te conhecia
mas o tal dia, o fatal momento
que ninguém esperaria
subitamente te chamaria
e a corrente daquele momento, daquele instante
fez-te um chamamento
e eu não tive tempo para parar o próprio tempo
Quero pedir-te perdão das profundezas do meu coração
porque outrora fui tão cruel
a minha ignorância foi mais forte que a sabedoria
e esta última é infinita mas não é para todos
e todo o tempo não chega para apreendê-la
Por isto tudo e por muito mais
e porque o tempo é um bom conselheiro
mas corre sem parar
é um bom mestre
mas implacável
e se num passado
não muito longínquo fomos filhos
no presente somos pais
Amada orquídea perdoa-me
por tudo que não fiz e poderia ter feito
eu sei que me entendes
e eu nem sempre te entendi
e o meu coração sangra
porque ele queria um diálogo
Agora vou regar-te com uma lágrima minha
Porque o sol está abrasador
E desejo-te um bom dia
e um até amanhã á mesma hora e ainda de dia




