Véspera de Natal
Eram três horas da tarde. Sentia-se à beira mar uma certa melancolia.
O mar estava revolto, zangado e enfurecido. Nesses momentos podemos constatar a sua força, a sua fúria o seu poder.
Ouvia sair das suas entranhas vozes que murmuravam muita coisa. Segredos? desabafos? lamentos? Bem, eu entendia-o. Gostava de o ver assim, forte imponente, imensurável.
Somos amigos há longos anos. Nunca nos zangamos mas nem sempre era possível visitá-lo.
Avistava-o ao longe e cumprimentava-o com um sorriso ou com uma lágrima. Ele sorria para mim ou virava-me a cara mas nesse dia sentia-o magoado. Eu fizera de conta que não entendia.
Era véspera de Natal. Sentara-me num banco de madeira como era habitual. Olhávamos um para o outro. A minha paixão por ele não lhe era indiferente.
Enquanto dialogávamos chegava aos meus ouvidos barulhos estridentes. Estes vinham das proximidades de estradas que tinham acesso ao centro das vilas e cidades e eu ficava pensativa.
Naquele dia a maioria das pessoas abandonava-o. As crianças também. Mas eu sempre lhe fora fiel.
Esforçava-me por ignorar aquele barulho, aquela inquietação e frenesim da véspera de Natal porque aquele momento era sagrado para mim. O mar era o meu Deus. As ondas com o seu barulho ensurdecedor eram as palavras de Jesus. E a minha prenda? A minha prenda era o próprio mar.
Despedi-me dele com um"Até breve".
Já estava longe quando aqueles ruídos regressavam de novo.
Os carros buzinavam.
Dentro deles surgiam rostos embriagados de alegria e inquietação. Sorrisos rasgados e movimentos frenéticos. Vozes agitadas e muitos movimentos. A maioria dos automóveis seguiam a mesma direção. Seguiam todos o mesmo sentido como um rebanho de carneiros. Os rostos saíam pelas janelas dos veículos. Os olhos arregalados, sôfregos, ansiosos em busca de algo que os saciasse.
Finalmente chegava a casa. Estava calma e sentia uma quietude inexplicável pois já tinha a minha prenda de Natal. Estava guardada no meu coração. Aquela prenda ninguém ma podia tirar.
Sentei-me no sofá durante algum tempo a observar o presépio. De seguida levantei-me e dirigi-me á cozinha. Estava na hora de fazer as rabanadas e cozer o bacalhau.
Eram três horas da tarde. Sentia-se à beira mar uma certa melancolia.
O mar estava revolto, zangado e enfurecido. Nesses momentos podemos constatar a sua força, a sua fúria o seu poder.
Ouvia sair das suas entranhas vozes que murmuravam muita coisa. Segredos? desabafos? lamentos? Bem, eu entendia-o. Gostava de o ver assim, forte imponente, imensurável.
Somos amigos há longos anos. Nunca nos zangamos mas nem sempre era possível visitá-lo.
Avistava-o ao longe e cumprimentava-o com um sorriso ou com uma lágrima. Ele sorria para mim ou virava-me a cara mas nesse dia sentia-o magoado. Eu fizera de conta que não entendia.
Era véspera de Natal. Sentara-me num banco de madeira como era habitual. Olhávamos um para o outro. A minha paixão por ele não lhe era indiferente.
Enquanto dialogávamos chegava aos meus ouvidos barulhos estridentes. Estes vinham das proximidades de estradas que tinham acesso ao centro das vilas e cidades e eu ficava pensativa.
Naquele dia a maioria das pessoas abandonava-o. As crianças também. Mas eu sempre lhe fora fiel.
Esforçava-me por ignorar aquele barulho, aquela inquietação e frenesim da véspera de Natal porque aquele momento era sagrado para mim. O mar era o meu Deus. As ondas com o seu barulho ensurdecedor eram as palavras de Jesus. E a minha prenda? A minha prenda era o próprio mar.
Despedi-me dele com um"Até breve".
Já estava longe quando aqueles ruídos regressavam de novo.
Os carros buzinavam.
Dentro deles surgiam rostos embriagados de alegria e inquietação. Sorrisos rasgados e movimentos frenéticos. Vozes agitadas e muitos movimentos. A maioria dos automóveis seguiam a mesma direção. Seguiam todos o mesmo sentido como um rebanho de carneiros. Os rostos saíam pelas janelas dos veículos. Os olhos arregalados, sôfregos, ansiosos em busca de algo que os saciasse.
Finalmente chegava a casa. Estava calma e sentia uma quietude inexplicável pois já tinha a minha prenda de Natal. Estava guardada no meu coração. Aquela prenda ninguém ma podia tirar.
Sentei-me no sofá durante algum tempo a observar o presépio. De seguida levantei-me e dirigi-me á cozinha. Estava na hora de fazer as rabanadas e cozer o bacalhau.