sexta-feira, 20 de abril de 2012

Conto - Mundos Paralelos


CONTO – MUNDOS PARALELOS


Estavam todos a brincar quando ouviram um barulho estridente próximo do velho poço. Correram de imediato para o local de onde vinha aquele ruído agudo. Olharam uns para os outros sem saberem o que fazer. 
O chão que rodeava o poço tremia como de repente alguém quisesse brotar dele. Uma névoa esbranquiçada e opaca instalava-se aos poucos formando um círculo e um vento suave  deslizava à volta deste deixando os irmãos paralisados e inertes.

João o mais velho dos três irmãos foi o mais destemido e com coragem para tocar naquela névoa mas apenas conseguiu sentir uma massa com viscosidade deixando-o assustado.

O Pedro e Maria estavam aterrados e colados ao chão sem murmurarem uma única palavra. Do interior do círculo surgiam  vozes de pessoas. Maria puxava pelo João agarrando-o fortemente e abraçava os dois irmãos para os proteger.
Envolvidos por um frio gélido que os  deixava  atordoados Maria não largava os irmãos.
Os ramos das árvores da quinta eram cobertos  por uma neblina. As vozes lentamente tornavam-se mais nítidas e definidas. Uma bela melodia fazia-se ouvir e uma voz de uma criança chamava pela mãe.      

Os troncos das árvores assumiam uma cor esverdeada e com um brilho indescritível. As flores cintilavam de tal forma que ofuscavam os olhos. A relva mexia-se formando suavemente uma ligeira ondulação.   

Os irmãos deixam de ser observadores deste espetáculo e começam a fazer parte dele. O círculo desaparecera e dera lugar a uma belíssima e vasta planície. Não muito longe deles uma bonita e melancólica  senhora encontrava-se sentada  no chão sobre  uma pequena saliência  com um petiz ao colo cantarolando num tom baixo para o menino.

O menino  extasiado   mexia nos cabelos dela e ela acariciava-o com ternura.

Maria estava espantada.Era   inacreditável mas aqueles bonitos cabelos ruivos e aquele rosto suave não lhe eram estranhos.. A sua tia nunca lhe fora  indiferente como o seu amado primo.

Pedro e João recordavam-se do acidente que houvera acerca de uns meses quando a tia conduzia o seu carro e a ama ia sentada no banco detrás com o primo.

Um camião viera contra eles e  o choque fora inevitável entre os dois veículos, morrendo os três.


Maria pensava que estava noutro mundo e não conseguia entender o que estava acontecer.  Da sua boca saíra-lhe:
- tia , tia
Mas a tia não a ouvia.

E  um ruído forte fez-se ouvir e um vento violento enrolava  os três adolescentes  abruptamente  transportando-os até ao jardim de casa onde tudo começara.  

- Pedro, Maria e João venham jantar.  

Eles não entendiam. Não estavam magoados, nenhum arranhão  visível. Estariam loucos? Que mundo era aquele? Como explicar tudo isto aos pais ?  Existirá  um mundo paralelo a este ? Afinal o que acontecera realmente ?

Conto por
Júlia Barbosa





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