sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Despertar


O Despertar

Ela continua na velha casa de frente para o mar com o sorriso de sempre e com a serenidade habitual.
Está no mesmo quarto com os mesmos móveis. Um ou outro foram mudados de lugar.
Os cortinados são novos e alguns bibelôs foram comprados há pouco tempo.
O cão ladra baixinho de tão velhinho que está. Pula e mexe o rabo lentamente, em câmara lenta e olha ternamente para ela.
Tudo naquela casa continua na mesma. Aquele sossego, aquela calmaria, aquele conforto, aquela quentura.
O sol entra pelas janelas aquecendo a alma daquele recanto mas lá dentro existe um coração irrequieto, como um mar revolto, como um céu que relampeja, como um vento do maninho que uiva fortemente e leva tudo pelo ar.
O mundo velho quer dar lugar ao novo mas o coração dela fraqueja, está fraco e o corpo cansado.
Resta-lhe apenas esperar…Quem sabe talvez dias, meses ou anos mas nada será como dantes.