O Despertar
Ela
continua na velha casa de frente para o mar com o sorriso de sempre e com a
serenidade habitual.
Está
no mesmo quarto com os mesmos móveis. Um ou outro foram mudados de lugar.
Os
cortinados são novos e alguns bibelôs foram comprados há pouco tempo.
O
cão ladra baixinho de tão velhinho que está. Pula e mexe o rabo lentamente, em
câmara lenta e olha ternamente para ela.
Tudo
naquela casa continua na mesma. Aquele sossego, aquela calmaria, aquele
conforto, aquela quentura.
O
sol entra pelas janelas aquecendo a alma daquele recanto mas lá dentro existe
um coração irrequieto, como um mar revolto, como um céu que relampeja, como um
vento do maninho que uiva fortemente e leva tudo pelo ar.
O
mundo velho quer dar lugar ao novo mas o coração dela fraqueja, está fraco e o
corpo cansado.
Resta-lhe
apenas esperar…Quem sabe talvez dias, meses ou anos mas nada será como dantes.