quarta-feira, 25 de julho de 2012

Lembras-te


Lembras-te?

Aquele sitio que tu tão bem conheces amigo…Lembras-te ? Aquele lugar em que estiveste comigo a falar longas horas?  onde  ninguém se refugia, em que as almas terrenas fogem dele, acham-no, a ele, o cemitério um  sitio fastidioso, triste, assustador, frio, arrepiante, desafiador, arrogante, ditador…Lembras-te? Durante a nossa conversa ela, a tal, estava sempre presente.

Estávamos na casa dela e ela está em todas as nossas casas mas  ali é a sede dela. Tu sentiste-te mal mas eu bem…Sabes o que eu senti? Uma paz, uma tranquilidade, uma leveza …e o sol estava alto e eu corri tão feliz para junto daqueles que ainda amo tanto… E tu achaste tudo tão estranho e criticaste…mas depois compreendestes que afinal é difícil esquecer de um dia para o outro um amor assim…e acompanhaste-me até ao pouso deles…o definitivo…e choraste comigo.

O sol continuava alto e um leve e meigo ventinho se pôs e passou próximo de nós e sussurrou-nos:
- Até a um dia…
Ficamos arrepiados…nós sabemos que foi ela…quisemos fugir mas para quê? Ela está sempre presente em nós. Tu sabes amigo eu já não tenho medo dela, só ás vezes confesso. 
Tenho mais medo de estar deste  lado, a que todos chamam Vida, que por vezes é muito mais imprevisível e assustadora.

E a luz do dia ainda estava forte e continuou e eu não queria sair dali, confesso que  também achei  estranho, algo me prende àquele sitio…e tu  disseste-me para ter cuidado pois ela chama  por mim.. Ficaste assustado e quiseste fugir …e pensaste que eu estava louca mas digo-te amigo que não troco aqueles momentos fugidios para estar com os outros…os outros…o barulho…a complexidade da sociedade, o poder, o dinheiro, o frenesim da vida. E tu perguntaste com os olhos esbugalhados: - Estás louca? trocas a vida por isto?
E eu ri-me e disse-te:
- que vida? qual vida amigo? Tu vives?
O que é viver?  
 Parir um filho ? Nascer ? Amar? Coabitar?   Tudo isto se resume em viver e já pensaste que em todos estes momentos está presente o sofrimento e a morte, não seria  melhor resumir tudo a um momento e saltar a vida? Desde que nasces caminhas para ela, a tal, a que todos têm medo e durante o percurso que fazes desde o teu nascimento até ela padeces tormentos. E para quê tanta aflição? Para terminares em braços com ela, rodeado nela, inevitavelmente.   

E começaste a correr. E eu ri-me e depois solucei…perdi outro amigo…mais um que me acha louca… e pensei que perder, fugir, sentir, chorar, rir, ganhar…é a vida …e a outra, ela, a tal acompanhou-me até casa como habitualmente…     



Sem comentários:

Enviar um comentário