terça-feira, 29 de maio de 2012

A ultima viagem


A ultima viagem



O pobre passarito abandonado não sabia como recomeçar a viver. 

Aquela triste e longa viagem levara-lhe tudo. Perdera os amigos, os companheiros e a doçura dos seus pais. 

Estes  não aguentaram as vicissitudes daquele tortuoso e sinuoso  caminho. Tempestades,  frio,  chuva,  calor,  imundície do cheiro a morte,o odor  a sangue, a  terra seca, dura, fria, pastosa, cruel, inconstante, movediça, lamacenta, alagadiça e cinzenta…e não resistiram e foram sugados pelo solo, comidos e corroídos, carcomidos  e consumidos. MALDITA VIAGEM, pensava o passarito.
E como se não bastasse o rasto dos amigos esfumara-se no vazio daquele húmus apodrecido e nojento.  

Tinha fome, sede, ávido e sedento de um carinho, de uma palavra amiga. Queria ter uma visão assombrosa, nem que fosse por um minuto para ouvir um gemido, um choro, um sussurro, um murmúrio de alguém vivo da sua espécie ou de outra  qualquer. 

Precisava, queria, necessitava de falar, de dizer, de ter, de querer, de acreditar que não estava só…

Mas o passarito sozinho, solitário, triste, vazio, enfraquecido, perdido naquele inferno não aguentou e…meio perecido, meio vivo e esfolado pelas quentes e fortes temperaturas daquela amaldiçoada terra,  finalmente vê o vulto dos seus pais que o agarra, beija-o, abraça-o, acariciando-o, não aquelas penas queimadas mas a sua alma. 

Porque o passarito também tinha alma, era gente, amava, sentia e penava.       

Meu pobre e triste passarito.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Usar a nossa liberdade


Liberdade

Um tema discutível e complexo – como o aborto, a eutanásia, homofobia, ideologias politicas, xenofobia, etc   e todo e qualquer assunto que esteja relacionado com o ser humano. 

Ao falarmos em liberdade é inevitável não falar nos direitos humanos, tema este que abrange um leque muito vasto de assuntos.

No nosso quotidiano surge-nos dúvidas constantemente como: Agi bem? Agi mal? O que é o bem? O que é o mal?

Logo as minhas escolhas estão intrinsecamente ligadas á  minha autonomia e ao meu livre arbítrio.
Muitos filósofos têm contribuído com a sua opinião acerca de determinados conceitos que tradicionalmente já estavam pré-definidos como por exemplo o Bem e o Mal.

Em princípio todo o cidadão comum percebe o que é agir bem e o que é agir mal. Mas  estes conceitos acabam por estarem  dependentes  das crenças, dos hábitos, do meio, da cultura,  do contexto histórico ou época em que cada povo está inserido etc.

O racismo e a escravatura por exemplo foi defendido e praticado durante décadas e não eram considerados ou vistos como um crime.

Atualmente e felizmente  é considerado um atentado aos direitos humanos.

E com isto quero dizer que se as minhas opções  dependem somente de mim e que a minha liberdade deveria ser sempre  usada de forma a não prejudicar o outro;  simultaneamente a minha pessoa e as minhas decisões  muitas vezes sofrem influências da sociedade em que estou  incluída ou   interligada, como posso ser coagida ou obrigada a agir em conformidade com as suas ideologias quer politicas, religiosas e económicas. 

Por isso podemos verificar através de conhecimentos passados e presentes   que na maioria das vezes praticam-se  atentados e crimes horrendos contra a humanidade precisamente devido a determinadas culturas e crenças completamente abomináveis. 


Se ser livre é agir e decidir de maneira a  não implicar ou não interfir com o nosso semelhante e vice versa ao ponto de salvaguardarmos   a nossa   dignidade, respeito,  e os nossos  Direitos como pessoa, cidadão etc, então somos livres.

E com esta pequena conversa quero dizer que afinal liberdade  significa sermos responsáveis  pelas  nossas ações , como é um desafio permanente e diario para todos nós.  







segunda-feira, 7 de maio de 2012

Foi apenas um sonho




Foi apenas um sonho
ou uma premonição ?

foi um sonho
um sonho amargo e com um sabor a ângustia
e com um cheiro a tristeza
e com as mãos cheias de nada

e o vazio preencheu o meu ser
chamei por ti...
chorei...
e agarrei-me à tua ausência 
e agarrei-me a nada

e o nosso destino disse:
- ele está aqui no nosso meio
e então vi a tua sombra
e o meu peito ferido e rasgado
gemeu de saudade.

e perecido estavas
desaparecido...no meio do nada. 


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Reflexões-Vinicius de Moraes/júlia Barbosa


Vinicius de Moraes

 "A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre."

Reflexão de Júlia Barbosa

Quanto a mim não consigo estar neste mundo sem amar. Amar a natureza, amar os amigos, a família, um projeto, algo….Mas se tenho medo de amar? Claro que tenho…Amar o outro, o amigo, o pai, o filho, a mãe, o irmão ,o companheiro, o mundo, os outros, o desconhecido...
Se tenho medo ? Sim tenho medo…muito medo… porque  amar significa tudo que o mundo tem de melhor e de pior. Angustias, tristezas, sofrimento, alegrias, êxtase, saudades, desilusões, conflitos,  tranquilidade, paz…quietude, serenidade, entrega total…e não pedir nada em troca a alguém que necessariamente um dia pode-nos deixar…Tudo é eterno como tudo é finito. O amor é paradoxal…   
No entanto, preciso disso tudo, tenho que amar …não sei viver sem essa coisa que uns chamam amor, outros amizade, outros paixão..e inevitavelmente vivo, amo e morro…mas vivo e sinto e morro e ressuscito…sempre…