quinta-feira, 12 de abril de 2012

A Sereia Ella

Ella deslizava delicadamente sobre a água do mar. Com uma tranquilidade impressionante transmitia uma paz que fazia inveja a qualquer um. Inclinava ligeiramente o seu belo e longo pescoço umas vezes para a direita ora para a esquerda.

Erguia os seus braços longos desenhando com eles ondulações no ar. Abria e fechava os olhos lentamente e em seguida mergulhava nas profundezas do mar durante uns segundos e reaparecia novamente ainda com mais força repetindo várias vezes as mesmas façanhas.

A sua silhueta esguia e a sua cauda belíssima como os seus lindos cabelos negros transmitiam um quadro único e belo no meio da imensidão do mar e no meio do nada.
Todos os marinheiros que passavam pelo estreito de Gibraltar conheciam a história da Sereia Ella que aparecia apenas nas noites de lua cheia.

Aqueles que eram ceticos à sua existência deixavam de o ser a partir do momento da sua aparição, iluminando tudo ao seu redor deixando os homens tão paralisados quanto enfeitiçados com o que viam.

Um dia um pescador chegou à costa esbaforido e ofegante gritando:
- eu vi, eu vi...

E não conseguia dizer mais nada até ao momento em que o seu irmão o acalmou.
Segundo o relato do pobre homem Ella aparecera perto da costa surgindo bruscamente mesmo à frente do seu barco acompanhada com um homem moreno e corpulento e também este tinha uma grande cauda. Os dois dançavam ao som de uma música que vinha do fundo do mar.

Mergulhavam e rodopiavam alheios a tudo e o pescador estupefato e obrigado a presenciar aquele incrível e inigualável espetáculo quase perdera a voz.

E o pescador não se cansava de repetir a história para os seus conterrâneos:
-Ó Manel eu vi... palavra de homem...eu vi um "sereio" grande como o "caraças".





Tritão (Triton) na mitologia grega, Tritão era um deus marinho, filho de Poseidon (Neptuno na mitologia romana) e Anfitrite (Salácia); é geralmente representado com cabeça e tronco humanos e cauda de peixe.

Sem comentários:

Enviar um comentário