terça-feira, 3 de julho de 2012

Memórias da infância



Era Inverno.
A tarde estava fria.
A chuva batia nas vidraças. Trovejava.
Os trovões eram fortes e secos. Faziam faísca.
A minha mãe sentada num banco de madeira na cozinha, tricotava.
A minha tia rezava.
Na janela do meu quarto avistavam-se os campos ensopados da chuva.
A nudez das árvores entristeciam-me. O vento gemia. A casa velha e grande era assustadora.
O choro que se ouvia era do meu sobrinho.Um bebé. Espreitei-o.
A minha tia continuava a murmurar uma Avé Maria e um Pai-Nosso. As rezas faziam com que o temporal fosse para longe, para as serras ou para os lugares desertos - dizia ela várias vezes e eu acreditava.
Os panos de renda tricotados pela minha mãe estavam quase terminados.
As ruas estavam desertas. O vento soprava.
O bebé estava acordado. A minha mãe preparava um biberão de leite.
Eu observava atentamente os gestos cheios de ternura com que ela lhe dava o leite.
Deitava o bebé no berço enrodilhado nos cobertores. Ele dormia.
Eu tinha muito sono e enrolava-me junto dela a saborear os seus carinhos.











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