Caminhava lentamente por aqueles corredores frios, grandes e com tectos altos. Pensativa olhava para aquelas janelas enormes. O sol entrava pelas frestas aquecendo um pouco aquelas paredes pálidas e tristes.
A vida lá fora fervilhava. Os pássaros chilreavam e saltavam de árvore em árvore. O vento fazia estragos espalhando as folhas caídas das árvores pelas passagens e entradas principais do Hospital.
A vida lá fora fervilhava. Os pássaros chilreavam e saltavam de árvore em árvore. O vento fazia estragos espalhando as folhas caídas das árvores pelas passagens e entradas principais do Hospital.
As ambulâncias chegavam com doentes e partiam novamente. As enfermeiras e funcionários do hospital avistavam-se em grupos. Alguns médicos entravam e saíam do edifício. A agitação, o barulho eram uma constante naquele local.
Alguns visitantes caminhavam em silêncio enquanto outros gesticulavam e falavam aos pares.
Silenciosa observava dois mundos. Separados unicamente por uma parede. De um lado a morte que prevalecia austera, rígida, severa e imponente. Do outro lado o sol cheio de vida, majestoso, delicioso que entrava devagarinho pelas janelas aquecendo e confortando aqueles rostos cansados, tristes e sem cor enquanto Ela - a morte não chegava. Os corpos envelhecidos e sem força corroídos pela doença quase não sentiam aquele pequeno sopro de vida, um raio de sol.
Num hospital não se vê rostos belos e corpos firmes tão apreciados pelo homem moderno. E é neste lugar que um homem mais medita. É aqui que é confrontado com a sua pequenez, com a sua finitude e limitação. É neste recanto que sente o quanto é impotente e frágil. É aqui que vê a fugacidade, o ilusório e a efemeridade das coisas. Então ele chama por um Deus Salvador e Misericordioso mas o tempo não pára. E ele jaz numa cama qualquer que não é a dele e os seus olhos aos poucos deixam de ver e o seu corpo de sentir e os gritos que querem sair mas são sufocados pela falta de forças.
E enquanto caminho por este trilho vou vendo tanta coisa. Olhares vazios, Corpos inertes e corações que ainda não querem partir. Vejo rostos que sofrem transformações aquando da sua morte. Uns aliviados e outros ainda a lutar arduamente. Parece que alguém chama por eles. Mas se uns morrem tranquilamente outros pedem mais um tempo porque estão à espera do filho ou do neto ou do pai ou da mãe para um último beijo.
E assim são levados pela Morte irremediavelmente ligada à vida.
Alguns visitantes caminhavam em silêncio enquanto outros gesticulavam e falavam aos pares.
Silenciosa observava dois mundos. Separados unicamente por uma parede. De um lado a morte que prevalecia austera, rígida, severa e imponente. Do outro lado o sol cheio de vida, majestoso, delicioso que entrava devagarinho pelas janelas aquecendo e confortando aqueles rostos cansados, tristes e sem cor enquanto Ela - a morte não chegava. Os corpos envelhecidos e sem força corroídos pela doença quase não sentiam aquele pequeno sopro de vida, um raio de sol.
Num hospital não se vê rostos belos e corpos firmes tão apreciados pelo homem moderno. E é neste lugar que um homem mais medita. É aqui que é confrontado com a sua pequenez, com a sua finitude e limitação. É neste recanto que sente o quanto é impotente e frágil. É aqui que vê a fugacidade, o ilusório e a efemeridade das coisas. Então ele chama por um Deus Salvador e Misericordioso mas o tempo não pára. E ele jaz numa cama qualquer que não é a dele e os seus olhos aos poucos deixam de ver e o seu corpo de sentir e os gritos que querem sair mas são sufocados pela falta de forças.
E enquanto caminho por este trilho vou vendo tanta coisa. Olhares vazios, Corpos inertes e corações que ainda não querem partir. Vejo rostos que sofrem transformações aquando da sua morte. Uns aliviados e outros ainda a lutar arduamente. Parece que alguém chama por eles. Mas se uns morrem tranquilamente outros pedem mais um tempo porque estão à espera do filho ou do neto ou do pai ou da mãe para um último beijo.
E assim são levados pela Morte irremediavelmente ligada à vida.