Desabafos
Já dizia a minha avó que mais vale a dor de inveja que terem piedade de nós. Mas se refletirmos um pouco e olhando para dentro de nós próprios vamos descobrir que há momentos e recalco a palavra momentos ou em determinadas situações em que precisamos de uma palavra amiga ou de um abraço ou de um sorriso pleno de ternura, de carinho ou que nos tratem por segundos como se fossemos um bebé dando-nos assim alento para seguir em frente a jornada da nossa vida.
A sociedade sempre viveu de tabus, de crenças e de mitos. Alguns ainda continuam presentes a legislar e a imporem-se nas nossas cabeças de tal forma que nem conseguimos na maioria das vezes entender o quanto são desumanos e cruéis. Hoje em dia o individuo para ser aceite na sociedade ou para ter aceitação por parte do outro é obrigado a esconder os seus sentimentos atrás de um manto invisível porque sente-se a presença deste embora não seja visível a olho nu...E como se não bastasse é forçado a esboçar mesmo que não lhe apeteça um sorriso e manter o corpo ereto para completar a indumentária.
E ainda reza a história que é obsoleto e não há tempo para lamúrias e coitadinhos como se fosse possível durante uma vida (durante anos e anos) não existirem pedaços de tempo e de instantes em que a nossa vontade é precisamente gritar, lamuriar, gemer, chorar, berrar etc, porque tudo isto e muito mais faz parte da nossa existência.
Assim é a vida como um rio que segue a sua corrente e não pára e infelizmente constatámos com frequência que se um individuo tiver a infelicidade de perder o barco que segue a corrente desse mesmo rio, o desgraçado desmantela-se e fica aquém. E do outro lado estamos nós como espetadores e observadores (mas podemos passar para o outro lado num instante) no nosso canto sentados, aparvalhados e pasmados quando temos conhecimento de determinados suicídios ou de óbitos prematuros (principalmente de idosos). Não serão estes desgraçados o reflexo da nossa sociedade ou de ideias feitas como dizia a minha avó “ mais vale a dor de inveja que terem piedade de nós ou por outras palavras quando precisares de ajuda nunca peças morre como um herói na podridão da tua solidão.
Por Júlia Barbosa