As noites de Verão eram mágicas. O cheirinho a mar e a rosmaninho deliciavam-me. O jantar no pátio à sombra das videiras, as discussões saudáveis com o meu pai e com o meu irmão mais novo não tinham fim. As tertúlias preenchidas com conversas sobre os vizinhos e a família acabavam sempre da mesma forma, não se chegava a conclusão alguma. As brincadeiras dos meus sobrinhos ainda de tenra idade e a correria da minha mãe e da minha cunhada dava uma certa graça ao jantar.O resmungar sempre presente da minha tia com o seu inesquecível bigode fazia despertar a menina traquina que existia dentro de mim.
A lida doméstica pertencia ás mulheres mais velhas, da qual eu estava excluída. Elas lavavam a loiça num grande alguidar junto ao poço. Dele jorrava toda a água do mundo. Aquela água era deliciosa. Nestas noites quentes o meu pai e o meu irmão banhavam-se no tanque grande. Eu corria para dentro de casa eufórica para buscar o fato de banho. Era indescritível o sentir daquela água gelada no corpo que fazia com que o calor desaparecesse por momentos. As crianças faziam uma grande algazarra. O avô mandava-os calar. O meu pai adorava os netos mas o cansaço apoderava-se dele. O dia estava a findar mas ficávamos ainda sentados a conversar no alpendre e a observar as pessoas na rua. O Alpendre situava-se num alto, virado a poente como a nossa casa, a mais velha das redondezas. Ao seu redor avistávamos o quintal todo. Tínhamos um grande muro que circundava o quintal. Ao longe via-se o mar. Mal a noite caía surgiam as primeiras pessoas a regressarem do centro da vila para casa. O café ou as pequenas associações eram os locais de eleição onde as pessoas deliciavam-se a bisbilhotar sobre tudo.E assim se passava mais um Sarau.
A lida doméstica pertencia ás mulheres mais velhas, da qual eu estava excluída. Elas lavavam a loiça num grande alguidar junto ao poço. Dele jorrava toda a água do mundo. Aquela água era deliciosa. Nestas noites quentes o meu pai e o meu irmão banhavam-se no tanque grande. Eu corria para dentro de casa eufórica para buscar o fato de banho. Era indescritível o sentir daquela água gelada no corpo que fazia com que o calor desaparecesse por momentos. As crianças faziam uma grande algazarra. O avô mandava-os calar. O meu pai adorava os netos mas o cansaço apoderava-se dele. O dia estava a findar mas ficávamos ainda sentados a conversar no alpendre e a observar as pessoas na rua. O Alpendre situava-se num alto, virado a poente como a nossa casa, a mais velha das redondezas. Ao seu redor avistávamos o quintal todo. Tínhamos um grande muro que circundava o quintal. Ao longe via-se o mar. Mal a noite caía surgiam as primeiras pessoas a regressarem do centro da vila para casa. O café ou as pequenas associações eram os locais de eleição onde as pessoas deliciavam-se a bisbilhotar sobre tudo.E assim se passava mais um Sarau.