CONTO – MUNDOS PARALELOS
Estavam todos a brincar quando
ouviram um barulho estridente próximo do velho poço. Correram de imediato para
o local de onde vinha aquele ruído agudo. Olharam uns para os outros sem
saberem o que fazer.
O chão que rodeava o poço tremia como de repente alguém quisesse
brotar dele. Uma névoa esbranquiçada e opaca instalava-se aos poucos formando
um círculo e um vento suave deslizava à
volta deste deixando os irmãos paralisados e inertes.
João o mais velho dos três irmãos
foi o mais destemido e com coragem para tocar naquela névoa mas apenas
conseguiu sentir uma massa com viscosidade deixando-o assustado.
O Pedro e Maria estavam aterrados
e colados ao chão sem murmurarem uma única palavra. Do interior do círculo surgiam
vozes de pessoas. Maria puxava pelo João
agarrando-o fortemente e abraçava os dois irmãos para os proteger.
Envolvidos por um frio gélido que
os deixava atordoados Maria não largava os irmãos.
Os ramos das árvores da quinta eram
cobertos por uma neblina. As vozes
lentamente tornavam-se mais nítidas e definidas. Uma bela melodia fazia-se
ouvir e uma voz de uma criança chamava pela mãe.
Os troncos das árvores assumiam
uma cor esverdeada e com um brilho indescritível. As flores cintilavam de tal
forma que ofuscavam os olhos. A relva mexia-se formando suavemente uma ligeira
ondulação.
Os irmãos deixam de ser
observadores deste espetáculo e começam a fazer parte dele. O círculo desaparecera
e dera lugar a uma belíssima e vasta planície. Não muito longe deles uma bonita
e melancólica senhora encontrava-se sentada
no chão sobre uma pequena saliência com um petiz ao colo cantarolando num tom
baixo para o menino.
O menino extasiado mexia
nos cabelos dela e ela acariciava-o com ternura.
Maria estava espantada.Era inacreditável mas aqueles bonitos cabelos
ruivos e aquele rosto suave não lhe eram estranhos.. A sua tia nunca lhe fora indiferente como o seu amado primo.
Pedro e João recordavam-se do
acidente que houvera acerca de uns meses quando a tia conduzia o seu carro e a
ama ia sentada no banco detrás com o primo.
Um camião viera contra eles e o choque fora inevitável entre os dois
veículos, morrendo os três.
Maria pensava que estava noutro
mundo e não conseguia entender o que estava acontecer. Da sua boca saíra-lhe:
- tia , tia
Mas a tia não a ouvia.
E um ruído forte fez-se ouvir e um vento
violento enrolava os três adolescentes abruptamente transportando-os até ao jardim de casa onde
tudo começara.
- Pedro, Maria e João venham
jantar.
Eles não entendiam. Não estavam
magoados, nenhum arranhão visível. Estariam loucos? Que mundo era aquele?
Como explicar tudo isto aos pais ? Existirá
um mundo paralelo a este ? Afinal o que
acontecera realmente ?
Conto por
Júlia Barbosa

