A cidade estava quase deserta e a noite gélida e triste.
Na rua poucos transeuntes se viam, alguns indigentes e outros para quem a vida também não sorria.
Caminhava ela pela rua tão inerte e sozinha .
Abandonada por todos e por ninguém.
Não chorava nem se lamentava. Afinal a vida era apenas dela. Somente dela.
As lágrimas queriam brotar dos seus olhos mas não jorravam.
Isso não lhe era permitido. A vida é para ser vivida e não compreendida.
Flor, assim se chamava. Seu pai tinha lhe dado este nome porque ela era tão ou mais bela que uma flor.
Menina de uma rara beleza e depois Senhora.
A inveja de todas as mulheres e o sonho de qualquer homem. E foi esta mesma beleza que a traiu. E neste silêncio meditava Flor. E nesta profunda e triste solidão rezava .
Recordava a sua terra. Uma aldeia pequena… onde a mesquinhez e a fealdade de espírito prevalecia, não se podia ser um cisne ou um pato feio mas sim um pato igual a tantos outros. Igual seria a palavra de ordem , a preferência e o ideal daquele lugar e daquelas pessoas.
Mas Flor não era o ideal daquela gente. Incomodava, importunava, afligia as esposas e os maridos mais obedientes.
Mesmo assim depois de todas as adversidades ainda sentia saudades dos seus conterrâneos, do mar, daquela calmaria, da terra quente e do sol a escaldar, do correr e saltar naquelas ruas estreitas. O cheiro a doces confecionados pela tia e pela mãe; do barulho dos primos e dos carinhos do pai. Terra linda e brava, a sua terra.
E as lágrimas corriam-lhe agora pelo rosto cansado e envelhecido pelo tempo, porque a saudade apertava e a vida furibunda a engolia.
,
E assim Flor chorava,gritava baixinho, para não ser ouvida, para não incomodar o ideal, o normal, a rotina daqueles que não querem ser incomodados, nem querem ver nem saber de outros mundos em que o sol chega apenas por uma pequena brecha.
E assim percorria a cidade tão fria e gelada, onde o vento acariciava as suas pernas tão magras e secas.
Aqui à noite na cidade é nefasto e pecado sentir ou amar. Aqui, na cidade, nestas horas escuras e sombrias apenas se pode desejar e satisfazer apetites ou apenas determinados anseios, aqueles que no quotidiano e à luz do dia são proibidos e temidos.
Flor já não era aquela flor de outrora que saciava essas almas em busca de um pouco de amor, outras de um simples desejo ou de adrenalina. E assim a sua alma e o seu corpo foi sugado e engolido por outras almas, almas estas, também perdidas.
Na rua poucos transeuntes se viam, alguns indigentes e outros para quem a vida também não sorria.
Caminhava ela pela rua tão inerte e sozinha .
Abandonada por todos e por ninguém.
Não chorava nem se lamentava. Afinal a vida era apenas dela. Somente dela.
As lágrimas queriam brotar dos seus olhos mas não jorravam.
Isso não lhe era permitido. A vida é para ser vivida e não compreendida.
Flor, assim se chamava. Seu pai tinha lhe dado este nome porque ela era tão ou mais bela que uma flor.
Menina de uma rara beleza e depois Senhora.
A inveja de todas as mulheres e o sonho de qualquer homem. E foi esta mesma beleza que a traiu. E neste silêncio meditava Flor. E nesta profunda e triste solidão rezava .
Recordava a sua terra. Uma aldeia pequena… onde a mesquinhez e a fealdade de espírito prevalecia, não se podia ser um cisne ou um pato feio mas sim um pato igual a tantos outros. Igual seria a palavra de ordem , a preferência e o ideal daquele lugar e daquelas pessoas.
Mas Flor não era o ideal daquela gente. Incomodava, importunava, afligia as esposas e os maridos mais obedientes.
Mesmo assim depois de todas as adversidades ainda sentia saudades dos seus conterrâneos, do mar, daquela calmaria, da terra quente e do sol a escaldar, do correr e saltar naquelas ruas estreitas. O cheiro a doces confecionados pela tia e pela mãe; do barulho dos primos e dos carinhos do pai. Terra linda e brava, a sua terra.
E as lágrimas corriam-lhe agora pelo rosto cansado e envelhecido pelo tempo, porque a saudade apertava e a vida furibunda a engolia.
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E assim Flor chorava,gritava baixinho, para não ser ouvida, para não incomodar o ideal, o normal, a rotina daqueles que não querem ser incomodados, nem querem ver nem saber de outros mundos em que o sol chega apenas por uma pequena brecha.
E assim percorria a cidade tão fria e gelada, onde o vento acariciava as suas pernas tão magras e secas.
Aqui à noite na cidade é nefasto e pecado sentir ou amar. Aqui, na cidade, nestas horas escuras e sombrias apenas se pode desejar e satisfazer apetites ou apenas determinados anseios, aqueles que no quotidiano e à luz do dia são proibidos e temidos.
Flor já não era aquela flor de outrora que saciava essas almas em busca de um pouco de amor, outras de um simples desejo ou de adrenalina. E assim a sua alma e o seu corpo foi sugado e engolido por outras almas, almas estas, também perdidas.
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