terça-feira, 5 de março de 2013

O grito


O grito

Do fundo da  minha alma  um grito
De todo  contido
Um grito profundo e doloroso de tanto escondido
Grito por ti  e do  passado  fugi

Mas não há tempo nem espaço
Nem anos para contar
Nem saudade para lamuriar

Apenas  uma grande ternura

Do fundo da minha alma desejo-te
Adeus amor, adeus loucura

Porque só pode ser louquice
Amar assim perdidamente
Alguém que tanto almejo

Amamo-nos tão simplesmente 

Adeus amor, adeus loucura
desse passado tão longínquo
e  tão cheio de ventura




segunda-feira, 4 de março de 2013

O amor na adolescência


O amor na adolescência

Aquele caminhar, aquele sorriso o deambular do seu corpo, fazia  estremecer  Antonieta de emoção.
Da janela do seu quarto vivia toda aquela fogosidade que a  fazia sentir a menina mais feliz do planeta.Contava os dias , as horas, os minutos , os segundos  sofregamente porque estava sempre ansiosa pela  chegada dele .

O percurso que fazíam até ao mar, o cheiro a maresia e do húmus, o sol a brilhar do alto, as  mãos agarradas como coladas, a  cabeça dela  encostada ao  ombro dele, o  olhar dele  que  lhe trespassava a alma e lhe  devorava o corpo e assolava os  seios . Toda ela  estremecia pela aquela envolvência espiritual, um pouco doentia mas apetecivel.  Pela primeira vez   Antonieta estava apaixonada.

Mas Antonieta também era amada não apenas como mulher mas também  como filha.  
A ternura das palavras dos seus progenitores, o calor das mesmas, o café bem quentinho, o pão torrado, o barulho das panelas, o cheirinho a sopa,  ao  assado, ás flores das jarras que predominavam por toda a casa, o sussurro do pai que mais parecia o vento, chamando-a  afetuosamente    eram de um conforto inesquecível.

E  os anos passavam e outros amores vieram….
Os corpos entrelaçados, o desejo, a paixão, a novidade, o descontentamento , a expectativa criada mas que  saíra lograda e finalmente  a decepção. E concluía que afinal ainda  não tinha encontrado o  amor.

 E mais uma vez socorria-se da sua mãe para ouvir o calor das suas palavras, para   não se sentir perdida. Havia sempre um lugar, um recanto, um aconchego  interminavelmente ou todas as vezes  que ela queria. O chão que pisava  era forte, duro, resistente e eterno e nunca se diluiria porque  ela, a sua  mãe estava sempre presente.Ouvia as suas  lamurias, paixões, desilusões como também os desabafos de momentos felizes.

  
E mais uma vez o amor a procurou…

Um amor  forte, sólido, arrebatador  esperava-a. Ele  adorava-a perdidamente. Todos os dias aparecia na escola á procura dela, nas ruelas para vê-la a passar, nos cafés para a admirar, perto de casa para lhe falar. Até que um dia Antonieta deixou-se ir como que levada pela corrente de um rio. Deleitou-se com   aquela correntia, saboreou toda a    impetuosidade do momento, gozou aquele instante como se fosse o único .
Fora  algo arrebatador, extasiante e delicioso . Mergulharam  um no outro  vezes sem fim como num belo devaneio.

E os sonhos, alguns tornam-se realidade e outros não passam de  momentos fugazes e efémeros.  E a  vida, o mundo diferem ou não da realidade. Ás vezes é um puro acaso. E nestes acasos  muitas vezes não há piedade, nem compaixão.

E   para uma menina ainda  muito menina…       

Aquele que um dia tanto a bajulou, a amou, afinal  não lhe pertencia

Antonieta seria mais uma entre muitas na sua boémia vida.


Os dias corriam velozes, traziam e levavam novidades, o sol continuava a sorrir e o vento trazia e levava um amor aqui e acolá.

Num dia de Verão Antonieta estava perto de  sua casa numa conversa amena com as suas amigas quando avistou ao longe alguém que bem conhecia. Aquele corpo a deambular, o acenar com o braço, o jeito que dava ao cabelo, aquele sorriso…

E aquela figura aproximou-se  daquele  grupo de jovens e saudou uma delas:
- Olá Maria
Aproximou-se  e beijou-a na testa. Sentou-se e olhou para todas até que cruzou com o olhar de Antonieta.

Esta estremeceu e empalideceu.


É Engraçado como a vida nos  surpreende, engana-nos , encanta-nos  e desencanta.                                                   

E mais uma vez  a menina que já não é menina fica perdida sem saber o que fazer e vê-se e revê-se há muito tempo,  como num filme, na janela do seu quarto,   o seu rosto a contar as horas, os minutos e os segundos num desassossego há espera daquela característica figura que caminhava com um jeito muito peculiar que a fazia sentir a menina mais feliz do planeta. Fora a primeira vez que se apaixonara.

Maria levantou-se e apresentou o namorado, que  num passado não muito longínquo  também  fizera parte da vida de  Antonieta. Segura-lhe na mão e  despede-se  das amigas   e vai  embora.

E a nossa protagonista  ficou colada ao banco sem dizer uma palavra.E uma lágrima teimava brotar  dos seus belos olhos mas afinal era apenas um mosquito teimoso  que a estava a incomodar.


Por momentos quisera que o tempo recuasse para poder abraçar só mais uma vez aquela pessoa mas a realidade agora era outra. O presente estava mesmo ali á sua frente, ele e Maria.         

Os dois muito juntos e de mãos dadas desapareciam na esquina do café “ Solvivo”

E a menina que já não era menina correu até casa com o coração apertado e amolgado, abraçando  a mãe e chorando compulsivamente,  contou o que lhe ia na alma como de um filme se tratasse mas cujo fim nestas películas são  bem diferentes .

E o vento segredou-lhe baixinho o seu nome e acariciou-lhe o cabelo como só e apenas só o seu pai o sabia fazer, deixando-a mais tranquila e com a certeza que um dia Antonieta também iria encontrar o  afeto  e o amor que ela bem  merecia.