terça-feira, 2 de abril de 2013

As Andorinhas




As Andorinhas


As Andorinhas

O sol estava alto e o mar calmo. A praia estava com pouca gente e as garotas passeavam tranquilamente pela beira  mar molhando os pés e saltitando como tivessem poder para  desafiar a natureza. 

As  donzelas puras e ainda inocentes, acabadas de  desabrochar  das conchas dos seus progenitores já se aventuravam a desafiar o sexo oposto mostrando os seus harmoniosos corpos ainda por amadurecer.. Caminhavam duma forma sensual como se fossem umas  rainhas  atraindo assim olhares masculinos ávidos de desejo e provocando um mal estar nas outras garotas menos atrevidas.

O mar tocava levemente os pés de Elle  deixando-a deliciosamente tonta. Inexplicavelmente  sentia que  este dia ia ficar registado na sua memória como se fosse uma premonição. Um formigueiro seguido por breves momentos de  uma apatia abatia-se sobre si.

Inesperadamente pareceu-lhe escutar uns incompreensíveis   murmúrios acompanhados com uma suave aragem que vinha das entranhas do mar:  
- Vem até aqui...molha os pés...não avances...pára agora por favor.

Elle assustada e confusa porque a sua imaginação estava incontrolável e a passar a linha da sensatez e a perder o juízo resolve molhar os pés para tentar acordar daquela letargia.

A espuma esbranquiçada das ondas fazem-lhe  tal coceira que não consegue resistir num pranto de riso.  
As outras ao escutar aquelas risadas escangalhadas  aproximam-se dela  saltarinhando   ao seu redor numa grande azáfama.

Pareciam um bando de andorinhas. Livres, soltas, leves, alegres, encantadoras, desinibidas e tantas  coisas mais.
Os fatos de banho rodopiavam com elas  e ainda um pouco secos e brilhantes de cor de marfim requestavam toda atenção.


E  um pouco mais á frente um grupo de rapazes jovens sentados  na areia, olhavam  o mar como se estivessem á espera de alguém ou que algum mistério lhes  fosse revelado a qualquer momento ou que algum milagre acontecesse, estavam assim como que perdidos mas também tranquilos porque afinal ser jovem é ser mesmo assim, ser nada e ser tudo, ser eterno e infinito, poder ter tudo e nada, e nada é tudo.

E assim a vida corria e decorria, parava e tremia naquela belíssima tarde de Verão. O  sol bronzeava aqueles  jovens e atordoava-os com aquele apetecível calor acompanhado com uma deleitante brisa de vento.


E as suas fragrâncias acabam por atrair as nossas garotas, as andorinhas que revoltearam á volta deles enroscando-os e o milagre acontecia.

Elle não parava de falar e de gesticular usando toda a sua voluptuosidade com aquele que mais lhe agradava, o jovem moreno, de cabelo encaracolado, como quem quer  agarrar sofregamente aquela deliciosa fatia de bolo, a maior, a melhor no seu entendimento. 

E mais uma vez as outras seguiam-lhe os passos, as regras, as tradições porque assim também tinha acontecido com as avós, com as mães, as tias, as primas e tantos mais.

E juntam-se todos a tagarelar ou a namorar  como um bando de gaivotas, num dia cheio de sol, tão pleno de vida, onde tudo acontece, tudo pode e onde o mar fala e segreda ás meninas ou garotas que a qualquer momento o amor acontece. 

















Sem comentários:

Enviar um comentário