As
Andorinhas
As
Andorinhas
O sol estava alto e o mar calmo. A praia estava com pouca gente e as garotas passeavam tranquilamente pela beira mar molhando os pés e saltitando como tivessem poder para desafiar a natureza.
As donzelas puras e ainda inocentes, acabadas de desabrochar
das conchas dos seus progenitores já se aventuravam a desafiar o sexo
oposto mostrando os seus harmoniosos corpos ainda por amadurecer.. Caminhavam
duma forma sensual como se fossem umas rainhas atraindo assim olhares masculinos ávidos de
desejo e provocando um mal estar nas outras garotas menos atrevidas.
O mar tocava levemente os pés de Elle deixando-a deliciosamente tonta. Inexplicavelmente
sentia que este dia ia ficar registado na sua memória
como se fosse uma premonição. Um formigueiro seguido por breves momentos
de uma apatia abatia-se sobre si.
Inesperadamente pareceu-lhe escutar uns incompreensíveis murmúrios acompanhados com uma suave aragem
que vinha das entranhas do mar:
- Vem até aqui...molha os pés...não avances...pára agora
por favor.
Elle assustada e confusa porque a sua imaginação estava
incontrolável e a passar a linha da sensatez e a perder o juízo resolve molhar
os pés para tentar acordar daquela letargia.
A espuma esbranquiçada das ondas fazem-lhe tal coceira que não consegue resistir num
pranto de riso.
As outras ao escutar
aquelas risadas escangalhadas
aproximam-se dela
saltarinhando ao seu redor numa
grande azáfama.
Pareciam um bando de andorinhas. Livres, soltas, leves, alegres, encantadoras, desinibidas e tantas coisas mais.
Os fatos de banho
rodopiavam com elas e ainda um pouco
secos e brilhantes de cor de marfim requestavam toda atenção.
E um pouco mais á frente um grupo de rapazes jovens sentados na areia, olhavam o mar como se estivessem á espera de alguém ou que algum mistério lhes fosse revelado a qualquer momento ou que algum milagre acontecesse, estavam assim como que perdidos mas também tranquilos porque afinal ser jovem é ser mesmo assim, ser nada e ser tudo, ser eterno e infinito, poder ter tudo e nada, e nada é tudo.
E assim a vida corria e decorria, parava e tremia naquela belíssima tarde de Verão. O sol bronzeava aqueles jovens e atordoava-os com aquele apetecível calor acompanhado com uma deleitante brisa de vento.
E as suas fragrâncias acabam por atrair as nossas garotas, as andorinhas que revoltearam á volta deles enroscando-os e o milagre acontecia.
Elle não parava de falar e de gesticular usando toda a sua voluptuosidade com aquele que mais lhe agradava, o jovem moreno, de cabelo encaracolado, como quem quer agarrar sofregamente aquela deliciosa fatia de bolo, a maior, a melhor no seu entendimento.
E mais uma vez as outras seguiam-lhe os passos, as regras, as tradições porque assim também tinha acontecido com as avós, com as mães, as tias, as primas e tantos mais.
E juntam-se todos a tagarelar ou a namorar como um bando de gaivotas, num dia cheio de sol, tão pleno de vida, onde tudo acontece, tudo pode e onde o mar fala e segreda ás meninas ou garotas que a qualquer momento o amor acontece.
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