sábado, 3 de julho de 2010

Um dos aniversários do meu pai

Recordo-me que era ainda uma criança e faltava um mês para um dos aniversários do meu pai, já ele andava todo irrequieto a falar nessa data. Ele adorava festejar os seus anos e foi assim até aos 80 anos.
Estes dias eram comemorados de uma forma muito peculiar.
Quando alguém da família(dois irmãos, esposas, netos e uma tia), faziam anos não era habitual oferecer-se prendas. O aniversariante era presenteado com um bom jantar e tinha primazia para escolher o melhor pedaço, na perspectiva dele, da comezaina e das iguarias. Era como um ritual.

No decorrer de um destes aniversários eu resolvera mudar este procedimento. Não o achava adequado nem bonito. Pensava que era uma forma rude e sem graça de festejar um acontecimento importante.
Tinha economizado umas moedas oferecidas pela família e com elas pensava comprar uma prenda para o meu pai.

Uns dias antes do seu aniversário tentara convencer a minha mãe a oferecer-lhe algo bonito.
As minhas tentativas tinham sido inúteis.
Sentia-me revoltada com a sua frieza, mas acabava por a compreender.
O dinheiro não abundava naquela casa e por esse motivo tinha que cumprir as ordens dela e guardar as minhas economias.

Entretanto chegava o dia tão esperado pelo meu pai. Admirava-o pela pessoa feliz que ele era apesar de ter uma vida muito difícil.
Os filhos e os netos como a restante família mimavam-no com uns beijinhos. Os vizinhos e alguns amigos vinham cumprimentá-lo e desejar-lhe um bom dia. Alguns como prenda ofereciam-lhe garrafas de vinho e de champanhe.

Chegada a hora do jantar a minha mãe chamava por todos.
Sobre a mesa encontrava-se uma grande travessa com um grande coelho caseiro e assado,(este era criado por nós) com o respectivo acompanhamento como os doces e os vinhos.

O meu pai sentava-se à mesa e sentia-se como um rei. Começava numa tertúlia sem fim em relação aos vizinhos e amigos porque não se tinham esquecido dele e isso significava que todos o adoravam.
No decorrer do seu discurso é interrompido por mim para lhe oferecer uma linda tulipa amarela, que fora tirada do jardim de uma amiga minha de infância. Era enternecedor vê-lo. Ficara esfuziante e todo embeiçado com uma simples flor e comentara:
- Obrigado filhinha, obrigado, és um amor.


















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