Conto
A casa da praia
A casa da praia continuava caiada de branco. Pequenina e rodeada de árvores e de flores . Tinha nas traseiras um grande jardim. Ela esperava por nós fielmente todos os anos.
Estava quase sempre só e abandonada. Apenas era habitada nos meses de Verão.
Maria, a nossa empregada tinha tudo preparado para a nossa chegada.
O espaço exterior da casa encontrava-se muito limpo assim como o seu interior.
Aquando da nossa chegada entravamos para a cozinha. A mesa da cozinha tinha uma linda toalha de linho amarela. Pousada sobre ela estava o bolo de chocolate, o chá e os bolinhos de mel.
As chávenas e o bule eram do tempo da minha bisavó e continuavam brilhantes.
Os meninos, Joãozinho e o Pedrinho estavam exaustos. Deitaram-se de imediato no sofá da sala. Esta tinha apenas uma mesa redonda e as respectivas cadeiras. Uma das paredes da sala era toda ocupada por livros.
O António chamava-lhe a pequena biblioteca.
O Joãozinho tinha fome e reclamava pelo leite. O Pedrinho já dormia profundamente.
A Maria beijava-me carinhosamente e perguntava-me:
- Então Terezinha ? Este ano sente-se melhor ?
E eu respondia sempre da mesma maneira
- Sim Maria, este ano sinto-me melhor.
Maria conhecia-me desde pequena e sabia que eu mentia.
Esta criatura tão dócil e meiga era para mim como uma segunda mãe.
Não a via como uma empregada mas como alguém muito querido que fazia parte da minha família.
O sol começava a pôr-se. Eu ficava fascinada.
Anoitecera. Maria fora embora.
Joãozinho tinha acabado de beber o leite e adormecera profundamente.
Deitava ambos no único quarto da casa.
Finalmente encontrava-me sozinha com os meninos.
Fechava as janelas e as portas cuidadosamente para não os acordar.
Caminhava lentamente até à cozinha. Bebia rapidamente uma chávena de chá e guardava o bolo para o dia seguinte.
Cansada da viagem deitava-me no sofá da sala coberta apenas por uma manta antiga.
Estava quase a adormecer quando Joãozinho chamava por mim. Perguntava-me pelo pai. A minha resposta era breve.
- Amanhã ele vem buscar-te.
E Joãozinho resmungava mas como estava muito maçado adormecia novamente.
Deitada no sofá recordava os tempos em que éramos quatro e a festa que o António fazia no primeiro dia que chegávamos.
Os bons e maus momentos eram lembrados agora. As correrias até ao mar. Os passeios pela Vila. As avarias constantes no carro porque o António não fazia a manutenção ao veículo.
As discussões. Os berros do Pedrinho porque queria os brinquedos do irmão.
O Joãozinho era mais calmo e o mais afeiçoado ao pai. Talvez por ser o mais velho.
Este era o segundo ano que ficávamos na casa da praia sem o António.
Ia amanhecendo. Sentia-me fatigada e com muito sono.
Adormecera.
De manhã ao acordar sentia-me esquisita. Tinha a sensação que passara muito tempo e que tinha visto um vulto. O vulto do António a entrar para a sala. Abraçava-me. Entrava para o quarto dos meninos. Beijava-os. Tinha sonhado? O sonho aproxima-se à vida. Ou esta vida não passa de um sonho?
O meu corpo estremecia. Tinha frio. Os meninos chamavam-me.
_ Mãe, Mãe
Acariciavam-me o rosto. A Maria sorria para mim.
O Sol entrava por toda a casa. Um novo dia começava. Através da janela podia-se avistar o mar ao longe.
O burburinho da Maria com as crianças confortava-me a alma.
E o António? Ele tinha entrado na casa ?
Sei que tinha entrado eternamente nos nossos corações .
E talvez estivesse connosco na casa da praia enquanto o seu corpo ia desaparecendo para sempre nas entranhas da terra.
A casa da praia
A casa da praia continuava caiada de branco. Pequenina e rodeada de árvores e de flores . Tinha nas traseiras um grande jardim. Ela esperava por nós fielmente todos os anos.
Estava quase sempre só e abandonada. Apenas era habitada nos meses de Verão.
Maria, a nossa empregada tinha tudo preparado para a nossa chegada.
O espaço exterior da casa encontrava-se muito limpo assim como o seu interior.
Aquando da nossa chegada entravamos para a cozinha. A mesa da cozinha tinha uma linda toalha de linho amarela. Pousada sobre ela estava o bolo de chocolate, o chá e os bolinhos de mel.
As chávenas e o bule eram do tempo da minha bisavó e continuavam brilhantes.
Os meninos, Joãozinho e o Pedrinho estavam exaustos. Deitaram-se de imediato no sofá da sala. Esta tinha apenas uma mesa redonda e as respectivas cadeiras. Uma das paredes da sala era toda ocupada por livros.
O António chamava-lhe a pequena biblioteca.
O Joãozinho tinha fome e reclamava pelo leite. O Pedrinho já dormia profundamente.
A Maria beijava-me carinhosamente e perguntava-me:
- Então Terezinha ? Este ano sente-se melhor ?
E eu respondia sempre da mesma maneira
- Sim Maria, este ano sinto-me melhor.
Maria conhecia-me desde pequena e sabia que eu mentia.
Esta criatura tão dócil e meiga era para mim como uma segunda mãe.
Não a via como uma empregada mas como alguém muito querido que fazia parte da minha família.
O sol começava a pôr-se. Eu ficava fascinada.
Anoitecera. Maria fora embora.
Joãozinho tinha acabado de beber o leite e adormecera profundamente.
Deitava ambos no único quarto da casa.
Finalmente encontrava-me sozinha com os meninos.
Fechava as janelas e as portas cuidadosamente para não os acordar.
Caminhava lentamente até à cozinha. Bebia rapidamente uma chávena de chá e guardava o bolo para o dia seguinte.
Cansada da viagem deitava-me no sofá da sala coberta apenas por uma manta antiga.
Estava quase a adormecer quando Joãozinho chamava por mim. Perguntava-me pelo pai. A minha resposta era breve.
- Amanhã ele vem buscar-te.
E Joãozinho resmungava mas como estava muito maçado adormecia novamente.
Deitada no sofá recordava os tempos em que éramos quatro e a festa que o António fazia no primeiro dia que chegávamos.
Os bons e maus momentos eram lembrados agora. As correrias até ao mar. Os passeios pela Vila. As avarias constantes no carro porque o António não fazia a manutenção ao veículo.
As discussões. Os berros do Pedrinho porque queria os brinquedos do irmão.
O Joãozinho era mais calmo e o mais afeiçoado ao pai. Talvez por ser o mais velho.
Este era o segundo ano que ficávamos na casa da praia sem o António.
Ia amanhecendo. Sentia-me fatigada e com muito sono.
Adormecera.
De manhã ao acordar sentia-me esquisita. Tinha a sensação que passara muito tempo e que tinha visto um vulto. O vulto do António a entrar para a sala. Abraçava-me. Entrava para o quarto dos meninos. Beijava-os. Tinha sonhado? O sonho aproxima-se à vida. Ou esta vida não passa de um sonho?
O meu corpo estremecia. Tinha frio. Os meninos chamavam-me.
_ Mãe, Mãe
Acariciavam-me o rosto. A Maria sorria para mim.
O Sol entrava por toda a casa. Um novo dia começava. Através da janela podia-se avistar o mar ao longe.
O burburinho da Maria com as crianças confortava-me a alma.
E o António? Ele tinha entrado na casa ?
Sei que tinha entrado eternamente nos nossos corações .
E talvez estivesse connosco na casa da praia enquanto o seu corpo ia desaparecendo para sempre nas entranhas da terra.
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