segunda-feira, 5 de julho de 2010

Laços de Afecto

Era quase fim de tarde. A Vila estava silenciosa.
Naquele momento poucas pessoas passavam na rua.

Tinhamo-nos encontrado perto da sua Quinta onde ela habitava com o seu cônjuge e os seus dois filhos.
O menino era ainda bebé e a menina um petiz.
Nesse dia a minha melhor amiga trazia no seu colo o menino que nem um mês tinha. O cabelo era louro e os olhos azuis claros como a mãe. Era um recém nascido muito gracioso.

Conversámos longamente e recordámos a nossa adolescência.

Falámos nos jantares passados na sua Quinta. Foram momentos agradáveis e inesquecíveis.

Os nossos saraus envolvidos pelo cheiro a flores, pela paisagem rural e maravilhosa, tornava-nos mais intimas e próximas.

Lembro-me que durante as nossas reuniões familiares conseguíamos abstrair-nos do resto do mundo. Os nossos assuntos raramente eram sobre conhecidos, mas apenas sobre a nossa vida.

O facto de se viver numa pequena Vila, num meio simples, onde toda a gente se conhecia também contribuíra para o crescimento duma forte e verdadeira amizade.

E naquele dia em que nos encontrámos, a conversa prolongara-se até ao entardecer. Ficara combinado passarmos as férias juntas. Seria agradável para as crianças e para nós.

E assim aconteceu. Por muitos anos partilhámos as férias de Verão todos juntos.
Alugávamos uma casa perto da praia ou no campo.
Umas vezes as férias eram passadas no Norte e, outras vezes no Sul do País.

Existia uma grande cumplicidade e harmonia entre as duas famílias. Com o decorrer do tempo os laços de afecto entre os nossos filhos foram- se tornando cada vez mais fortes até aos dias de hoje.

Passaram-se muitos anos e como todas as amizades esta também sofreu mutações, mas o essencial nunca se perdeu. A grande afectividade entre todos.


Actualmente fico embevecida e feliz quando ouço o João António e a Belinha a pronunciar estas palavras:

- Os tios vêm jantar a nossa casa?

Estas palavras são sempre acompanhadas com um olhar cheio de ternura e amor.

São nestes momentos que penso que a verdadeira felicidade reside no amor incondicional que o ser humano consegue ter pelo próximo, independentemente se somos parentes (consanguinidade) ou não.








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