quarta-feira, 5 de maio de 2010

Uma tarde de Inverno

Era Inverno. A tarde estava fria. A chuva batia nas vidraças. Trovejava. Os trovões eram fortes e secos. Faziam faísca. A minha mãe sentada num banco de madeira na cozinha, tricotava. A minha tia rezava. Na janela do meu quarto avistavam-se os campos ensopados da chuva. A nudez das árvores entristeciam-me. O vento gemia. A casa velha e grande era assustadora. O choro que se ouvia era do meu sobrinho.Um bebé. Espreitei-o. A minha tia continuava a murmurar uma Avé Maria e um Pai-Nosso. As rezas faziam com que o temporal fosse para longe, para as serras ou para os lugares desertos - dizia ela várias vezes e eu acreditava.
Os panos de renda tricotados pela minha mãe estavam quase terminados.
As ruas estavam desertas. O vento soprava. O bebé estava acordado. A minha mãe preparava um biberão de leite. Eu observava atentamente os gestos cheios de ternura com que ela lhe dava o leite. Deitava o bebé no berço enrodilhado nos cobertores. Ele dormia. Eu tinha muito sono e enrolava-me junto dela a saborear os seus carinhos.

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