domingo, 9 de maio de 2010

Maria

Todas as noites "ela" canta num bar. Chamam-lhe Maria. Os seus lábios carnudos pintados sempre de vermelho, os seus longos cabelos pretos cor de azevinho e o seu vestido justo vermelho faz com que se note ainda mais as suas formas do corpo. Maria tem um corpo bem torneado mas é o seu sorriso espontâneo que faz dela a atracção da noite. Os seus olhos castanhos brilham quando ouve as palmas eufóricas do público. Agradece, fazendo várias vénias e simultâneamente foge para trás do palco dando lugar a outra actuação.
No seu camarote vai tirando as pinturas, tira a peruca, o vestido, o peito postiço e por fim a linda roupa interior. Olha para o espelho. Chora convulsivamente. O que vê não se coaduna com o seu ser, com a sua alma de mulher. Olha para as suas mãos esguias, um pouco grandes e para os seus pés que são as partes do corpo que mais a traem. Os seus olhos tristes fixam-se no espelho e pergunta vezes sem conta o porquê desta situação. Porquê que a natureza foi tão cruel com ela.

Para mim ela será sempre " Maria", a mulher que eu um dia conheci.

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