quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Adeus Amor

Adeus Amor

Gostava às vezes ser ave mas só às vezes. Para poder voar nos dias mais quentes entre as casinhas das aldeias próximas do mar e nos dias mais frios aconchegar-me nos beirais dos telhados a escutar o lamento do vento. 

Como gostava de voar para poisar numa árvore aqui e acolá, depenicar uma flor atrevida e beijar os teus lábios carnudos e depois sobrevoar o mar e sentir o quentinho das tardes de Verão.

Ser ave e matreiro para ouvir as conversas e as tertúlias das pessoas, como ouvir os seus segredos e confissões, escutar o sonho dos sonhadores, a coragem dos valentes, a renúncia dos corajosos, o lamento dos afortunados, o remorso do consciencioso, o chorar dos arrependidos, a tristeza dos aflitos, a derrota dos bravos, a vitória dos fracassados, as confissões dos apaixonados e o adeus dos enamorados.

Ouvir todos eles para depois esquecer e tornar a voar sobre o imenso mar azul e entretanto voltar para o aconchego do lar cheia de boas vibrações, sentido o âmago da vida no seu melhor e debicar o teu nariz e acordar-te sussurrando ao teu ouvido o que escutei e dizer-te que foi apenas um sonho onde eu tinha asas e que todos os seres humanos são iguais nas suas diferenças e que a vida obriga-os a contornar muitos obstáculos numa luta incansável e nem sempre conseguem numa primeira vez ladear todas as barreiras.


E quando adormeceres as minhas asas voltam a ganhar vida e fujo pela janela voando em direção á vida e sem destino, sem saber se é um adeus ou um até breve e murmurando:

- Adeus amor

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