Uma tarde de Inverno II - Em homenagem à minha mãe.
Era Inverno. A tarde estava fria. A chuva batia nas vidraças. Trovejava. Os trovões eram fortes e secos. Alguns faziam faísca. A Senhora sentada num banco de madeira na cozinha, tricotava.
O café aquecia no fogão. A luz do dia penetrava timidamente pela janela da cozinha.
A menina das tranças doiradas brincava. Da janela do seu quarto avistava os campos ensopados pela chuva. A nudez das árvores entristeciam-na. O vento gemia. Algumas folhas voavam. A chuva lamentava-se e praguejava. E as suas lágrimas nunca mais acabavam. Aquela casa velha e grande assustava-a.
E o choro do menino era abafado pelo temporal. Ele era doce e pequenino! Sorria. E a senhora labutava e rezava. Uma Avé Maria , um Pai-Nosso. As rezas ajudavam a alma a esquecer os dias tristes e melancólicos próprios daquela estação. O murmúrio da chuva abrandava. Ela tinha razão aquelas preces levavam para longe o vento, a chuva, o frio e a tristeza. Fugiam para os lugares desertos e sombrios- dizia ela. E eu acreditava.E os seus panos de renda estavam quase terminados.
As ruas estavam desertas. O mar avistava-se ao longe. O bebé estava acordado. A senhora preparava um biberão de leite. Eu observava atentamente aqueles gestos cheios de ternura e a tranquilidade com que tratava o menino. Deitava- o no berço embrulhado nos cobertores.E finalmente ele dormia.
E eu embevecida observava, sorria e deleitava-me. E a menina das tranças doiradas enrolava-se junto daquela que tanto amava.
E eu embevecida observava, sorria e deleitava-me. E a menina das tranças doiradas enrolava-se junto daquela que tanto amava.
C/saudade: J.B
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