quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

As quatro estações do ano

As quatro estações do ano

1.

As quatro estações do ano

Estava um dia muito chuvoso e muito frio. O Senhor Pipas personificava o Inverno. Dono e senhor desta estação encontrava-se muito feliz.

A sua casa pintada toda de branco perdia-se no meio da neve. O Pipinhas como era tratado pelas crianças adorava estar em casa a ler e a fazer docinhos deliciosos para os meninos que viviam nas redondezas.

Passava o dia vestido com o seu casaco de malha às riscas muito quentinho e sempre rodeado do seu belo gatinho.
Também gostava de pintar lindos quadros. Uns com neve, outros com árvores nuas e riachos a desaguarem em grandes rios. Também pintava montanhas cobertas de gelo e tantas coisas lindas que a natureza oferecia no Inverno.

As crianças já o conheciam e quando chegava o Inverno, depois das aulas, faziam fila para comer os seus docinhos e ficavam encantadas com as suas pinturas e o seu cantarolar.
O Sr. Pipas pedia autorização aos pais dos petizes para ensinar-lhes a pintar.

O tempo decorria lentamente e o frio fazia-se sentir cada vez mais. Ouvia-se grandes rajadas de vento e o choro da chuva era impressionante.
- Que lindo é o Inverno. Comentava Pipinhas junto á sua lareira enquanto as crianças pintavam e desenhavam sentadas à volta da mesa da sua sala.
E para contribuir para uma maior alegria da rapaziada gostava de cantar umas coisas acompanhando com a sua viola:

Miau Miau

Eu tenho um gatinho
Muito franzininho
mas espertalhão
E muito comilão


Quando faço uns docinhos
O grande glutão
Maroto e marotão
Come tudo de um olhão

Corre, corre,  
Como ele  é  fininho
Este meu gatinho 
É por isso que é  tão fofinho
E franzininho

Miau Miau

E as palmas faziam-se ouvir, pois as crianças deliravam com as cantigas improvisadas do Sr. Pipas.


Os dias foram passando e a natureza cumpria com a sua rotina. O Inverno despedia-se dando primazia à Primavera.

- Que dia lindo – Comentava a Dª Fufas.
A casa de Dª Fufas era pintada de amarelo. Ao redor da casa tinha muitas árvores. Estas começavam a florir aos poucos. As primeiras flores do seu jardim espreitavam timidamente o dia e sorriam para a sua dona.

Dª Fufas sorria para elas e cumprimentava-as.
- Olá rosinha como estás?
- Olha a margarida a espreguiçar-se. Malandra.
Os meninos  corriam felizes para junto do seu jardim.



- Olá rapaziada como estão? O Sr. Pipas finalmente deixou-vos vir.

Era habitual a doce Senhora ensinar às crianças determinados assuntos pedagógicos, que no futuro vinham a ser úteis para eles.
Ensinava-os a  tratar das flores e das plantas, como também explicava o quanto elas eram importantes.
As crianças deliciavam-se. Saltavam e corriam à volta das árvores. O Sol sorria para elas. Afinal estávamos na Primavera e os dias estavam a crescer.

Dª Fufas como habitualmente acontecia todos os anos, elucidava-os sobre alguns temas importantes que mais tarde eram aprofundados na escola.

- A água é essencial para o ser humano.– explicava ela.
- Consumir diariamente água diminui o cansaço e elimina as toxinas que fazem mal ao nosso corpo.
- O que são toxinas ? Questionava o Joãozinho
-  São substâncias  prejudiciais  para a  nossa saúde e que podem danificar o nosso corpo.

Os meninos ficavam enternecidos e a Dª Fufas continuava.

Quando o nosso organismo ou o nosso corpo tem pouca quantidade de água afeta  o nosso coração.

- Porquê? Perguntava o Pedrinho
- Porque precisa de trabalhar mais ou fazer mais força para bombear o sangue oxigenado a todas os órgãos principais e a todas as células.

Os petizes ficava um pouco confusos mas a perceptora continuava:

 -Mais tarde na escola quando os professores falarem sobre o corpo humano vão ensinar-vos com precisão e mais detalhadamente sobre tudo isto.

E prosseguia:
- Hoje está um dia lindíssimo, soalheiro.  O sol tem vitamina C.  Faz muito bem à saúde. As pessoas ficam mais bem dispostas mas não podemos estar muitas horas expostos a ele. Temos que ter cuidado. Perguntem  aos vossos pais as horas mais indicadas para usufruirmos dele.   


  
O Sol quando ouvia falar nele e ficava ainda mais brilhante e embevecido.
E os dias foram-se passando.
Dª Fufas sentia que algo estava a mudar. O calor começava a apertar.
- Ai que calor! Vou descansar à sombra da minha pereira.

E a Dª Fufas sentava-se incomodada com o calor.



E assim chegava o Verão.

E o sol ficava mais forte, mais robusto e todo importante.

- Que dia maravilhoso. Salta piegas, salta…
Cá estava o Senhor Rodolfo todo alegre e brincalhão. Trazia consigo o seu cão e encantador Piegas.

A sua casa situava-se junto a um lindo riacho. E os meninos  aquando esta estação corriam para junto dele.

Todos os anos o Senhor Rodolfo organizava piqueniques para as crianças e passeios interessantes.
- este ano vamos visitar alguns museus.
- eu quero visitar o palácio de Sintra e o museu dos Coches.- comentava um dos meninos
- eu quero ir á praia e visitar duendes. – dizia outro

Como habitualmente o Sr. Rudolfo fazia-lhes as vontades mas existia alguém que ele não podia abdicar que era do seu cão.



Piegas era essencial para todos estes projetos. O seu cão ajudava-o nestas lidas e auxiliava-o com as crianças. Era um bom cão de guarda.

A rapaziada andava frenética. Férias grandes, muito calor e muitos passeios para se realizarem.
O Sr. Rodolfo para os acalmar, todos os anos organizava na sua casa uma palestra em que lhes explicava os cuidados que deveriam ter com as idas á praia e o quanto era importante visitar duendes, museus e palácios.

- temos que saber desfrutar da praia e do mar.
-devem frequentar praias que tenham sempre vigilância.
- Devem tomar banho em grupo. Nunca irem para longe mesmo sabendo nadar.
- Respeitar as bandeiras. Amarelo – é perigo, vermelho – muito perigoso e verde – nadar com muito precaução e nunca isolarem-se.
- Visitar museus e palácios é uma ótima maneira de conhecerem a história do nosso país e dos outros países de uma forma divertida.

Um dos meninos levanta o braço e pergunta:
- e os duendes ?
- os duendes, o cão lingrinhas, a Alice no país das maravilhas, A Cinderela. São coisas reais que fazem parte do nosso imaginário. São reais como a nossa vida, como os nossos sonhos. Os animais que falam, as flores que sorriem etc. 

Tudo o que tu quiseres imaginar podes vivenciar através do teu pensamento.

-O meu cão fala para mim. É ele que toma conta de vós. – enquanto o Sr. Rodolfo explicava o seu amigo abanava as orelhas e ladrava sorrindo para todos.

Os passeios foram-se realizando e o Verão aos poucos ia-se despedindo.
E o Sol escondia-se de quando em vez todo chateado.




O Outono começava a chegar.

As árvores sacudiam as folhas, as flores fechavam os olhitos com frio, o Sol escondia-se mais cedo, o frio abanava-se todo, umas pingas de chuva ameaçavam as plantas, o Piegas corria para dentro de casa, o riacho corria mais depressa e o Sr. Rudolfo muito apressado guardava as tralhas todas no barracão antes que começasse a chover.



-Olha isto promete. Vem aí uma chuvinha. Que fresquinho delicioso. Tantas folhas caídas. – dizia Dª Palmira.

- tenho que varrer isto. – Resmungava a Senhora.

Dª Palmira era professora , de estatura pequenina e gordinha. Habitava numa casa de dois andares. O R/C estava todo ocupado com brinquedos, livros, jogos e plantas.

Ao lado da casa tinha um pequeno barracão com um galo gordo, uma galinha e os pintainhos.

Quando o novo ano letivo começava ela já tinha tudo preparado para os seus meninos.

Depois das aulas gostava de falar um pouco sobre a vida dos animais, das plantas e das árvores. Levava um pintainho, um ou mais ovos das suas galinhas e algumas folhas caídas das árvores. Aproveitava para contar belas histórias e simultaneamente explanava coisas interessantes.

- Vejam este pintainho. Tão amarelinho. E este ovo. Vejam. Ele é envolvido em uma casca, muito perfeito sem ranhuras e forte. A natureza é incrível. Simplesmente maravilhosa.
- A minha galinha não teve influência na forma como se desenvolveu a casca do ovo. É o próprio ovo que faz esta maravilha. Este processo também é visto nos ossos e nas conchas do mar.

Os meninos ficavam encantados e a Dª Palmira continuava. Entretanto ouvia-se um barulho. Eram pingos de chuva a baterem nas janelas e colavam-se aos vidros folhas das árvores que voavam.


- Meninos estamos no Inverno. As árvores estão-se a despir.
- As árvores são importantes porque nos dão oxigénio, senão existia mais poluição. Nós seres humanos precisamos de respirar oxigénio. Se ele não existisse só respirávamos dióxido de carbono e morríamos.

Dª Palmira regressava a casa sempre satisfeita porque a sua profissão a realizava e contribuía para que aquelas crianças tivessem um futuro promissor.

Anoitecia. A chuva caia silenciosamente. As luzes da casa da Senhora apagavam-se.


Os meses foram-se passando e o tempo piorava. Chegava o Inverno. A chuva tornava-se mais feroz e o vento soprava zangado com o sol. E ele desaparecia. O frio fazia-se sentir e a Dª Palmira continuava com as suas aulas mas sabia que a partir desta estação os seus meninos depois das aulas em determinados dias “fugiam” para a casa do Sr. Pipas.

Com o Inverno á porta a casa do Sr. Pipas “desaparecia “ com a neve, porque esta era tão branca que a ocultava.

O Pipinhas preparava os docinhos habituais para os meninos, a mesa com lápis e folhas para eles desenharem e como costumadamente cantarolava uma das suas canções para agitar os pequenotes.

Ser criança
É ter uma aliança
com a alegria e esperança
de um mundo novo e grandioso

Sou eu que digo
E tem a sua importância
Ou eu não tivesse esta grande ânsia
De ser criança




Meninos acreditem
Que vem aí
Um mundo moço
Com muita
Abastança
Felicidade
Que o diga a minha Esperança

Lá, lá, lá
Eu sou uma criança


E os  meninos saltavam e corriam felizes.
O Inverno  acomodava-se  todo autoritário. Os petizes não se aborreciam pois em todas as estações tinham aprendido algo de útil. Cada  uma  tinha o seu encanto e beleza.



















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