As quatro estações do ano
1.
As quatro estações do ano
Estava um dia muito chuvoso e muito frio. O Senhor Pipas
personificava o Inverno. Dono e senhor desta estação encontrava-se muito feliz.
A sua casa pintada toda de branco perdia-se no meio da neve.
O Pipinhas como era tratado pelas crianças adorava estar em casa a ler e a
fazer docinhos deliciosos para os meninos que viviam nas redondezas.
Passava o dia vestido com o seu casaco de malha às riscas
muito quentinho e sempre rodeado do seu belo gatinho.
Também gostava de pintar lindos quadros. Uns com neve,
outros com árvores nuas e riachos a desaguarem em grandes rios. Também pintava
montanhas cobertas de gelo e tantas coisas lindas que a natureza oferecia no
Inverno.
As crianças já o conheciam e quando chegava o Inverno,
depois das aulas, faziam fila para comer os seus docinhos e ficavam encantadas
com as suas pinturas e o seu cantarolar.
O Sr. Pipas pedia
autorização aos pais dos petizes para ensinar-lhes a pintar.
O tempo decorria lentamente e o frio fazia-se sentir cada
vez mais. Ouvia-se grandes rajadas de vento e o choro da chuva era
impressionante.
- Que lindo é o Inverno. Comentava Pipinhas junto á sua
lareira enquanto as crianças pintavam e desenhavam sentadas à volta da mesa da
sua sala.
E para contribuir para uma maior alegria da rapaziada
gostava de cantar umas coisas acompanhando com a sua viola:
Miau Miau
Eu tenho um gatinho
Muito franzininho
mas espertalhão
E muito comilão
Quando faço uns docinhos
O grande glutão
Maroto e marotão
Come tudo de um olhão
Corre, corre,
Como ele é fininho
Este meu gatinho
É por isso que é tão
fofinho
E franzininho
Miau Miau
E as palmas faziam-se ouvir, pois as crianças deliravam com
as cantigas improvisadas do Sr. Pipas.
Os dias foram passando e a natureza cumpria com a sua
rotina. O Inverno despedia-se dando primazia à Primavera.
- Que dia lindo – Comentava a Dª Fufas.
A casa de Dª Fufas era pintada de amarelo. Ao redor da casa
tinha muitas árvores. Estas começavam a florir aos poucos. As primeiras flores
do seu jardim espreitavam timidamente o dia e sorriam para a sua dona.
Dª Fufas sorria para elas e cumprimentava-as.
- Olá rosinha como estás?
- Olha a margarida a espreguiçar-se. Malandra.
Os meninos corriam felizes para junto
do seu jardim.
- Olá rapaziada como estão? O Sr. Pipas finalmente
deixou-vos vir.
Era habitual a doce Senhora ensinar às crianças determinados
assuntos pedagógicos, que no futuro vinham a ser úteis para eles.
Ensinava-os a tratar
das flores e das plantas, como também explicava o quanto elas eram importantes.
As crianças deliciavam-se. Saltavam e corriam à volta das
árvores. O Sol sorria para elas. Afinal estávamos na Primavera e os dias
estavam a crescer.
Dª Fufas como habitualmente acontecia todos os anos, elucidava-os
sobre alguns temas importantes que mais tarde eram aprofundados na escola.
- A água é essencial para o ser humano.– explicava ela.
- Consumir diariamente água diminui o cansaço e elimina as
toxinas que fazem mal ao nosso corpo.
- O que são toxinas ? Questionava o Joãozinho
- São substâncias prejudiciais para a nossa saúde e que podem danificar o nosso
corpo.
Os meninos ficavam
enternecidos e a Dª Fufas continuava.
Quando o nosso organismo
ou o nosso corpo tem pouca quantidade de água afeta o nosso coração.
- Porquê? Perguntava
o Pedrinho
- Porque precisa de
trabalhar mais ou fazer mais força para bombear o sangue oxigenado a todas os
órgãos principais e a todas as células.
Os petizes ficava um pouco confusos mas a perceptora
continuava:
-Mais tarde na escola
quando os professores falarem sobre o corpo humano vão ensinar-vos com precisão
e mais detalhadamente sobre tudo isto.
E prosseguia:
- Hoje está um dia lindíssimo, soalheiro. O sol tem vitamina C. Faz muito bem à saúde. As pessoas ficam mais
bem dispostas mas não podemos estar muitas horas expostos a ele. Temos que ter
cuidado. Perguntem aos vossos pais as
horas mais indicadas para usufruirmos dele.
O Sol quando ouvia falar nele e ficava ainda mais brilhante
e embevecido.
E os dias foram-se passando.
Dª Fufas sentia que algo estava a mudar. O calor começava a
apertar.
- Ai que calor! Vou descansar à sombra da minha pereira.
E a Dª Fufas sentava-se incomodada com o calor.
E assim chegava o Verão.
E o sol ficava mais forte, mais robusto e todo importante.
- Que dia maravilhoso. Salta piegas, salta…
Cá estava o Senhor Rodolfo todo alegre e brincalhão. Trazia
consigo o seu cão e encantador Piegas.
A sua casa situava-se junto a um lindo riacho. E os
meninos aquando esta estação corriam
para junto dele.
Todos os anos o Senhor Rodolfo organizava piqueniques para
as crianças e passeios interessantes.
- este ano vamos visitar alguns museus.
- eu quero visitar o palácio de Sintra e o museu dos
Coches.- comentava um dos meninos
- eu quero ir á praia e visitar duendes. – dizia outro
Como habitualmente o Sr. Rudolfo fazia-lhes as vontades mas
existia alguém que ele não podia abdicar que era do seu cão.
Piegas era essencial para todos estes projetos. O seu cão
ajudava-o nestas lidas e auxiliava-o com as crianças. Era um bom cão de guarda.
A rapaziada andava frenética. Férias grandes, muito calor e
muitos passeios para se realizarem.
O Sr. Rodolfo para os acalmar, todos os anos organizava na
sua casa uma palestra em que lhes explicava os cuidados que deveriam ter com as
idas á praia e o quanto era importante visitar duendes, museus e palácios.
- temos que saber desfrutar da praia e do mar.
-devem frequentar praias que tenham sempre vigilância.
- Devem tomar banho em grupo. Nunca irem para longe mesmo
sabendo nadar.
- Respeitar as bandeiras. Amarelo – é perigo, vermelho –
muito perigoso e verde – nadar com muito precaução e nunca isolarem-se.
- Visitar museus e palácios é uma ótima maneira de
conhecerem a história do nosso país e dos outros países de uma forma divertida.
Um dos meninos levanta o braço e pergunta:
- e os duendes ?
- os duendes, o cão lingrinhas, a Alice no país das
maravilhas, A Cinderela. São coisas reais que fazem parte do nosso imaginário.
São reais como a nossa vida, como os nossos sonhos. Os animais que falam, as
flores que sorriem etc.
Tudo o que tu quiseres imaginar podes vivenciar através do
teu pensamento.
-O meu cão fala para mim. É ele que toma conta de vós. –
enquanto o Sr. Rodolfo explicava o seu amigo abanava as orelhas e ladrava
sorrindo para todos.
Os passeios foram-se realizando e o Verão aos poucos ia-se
despedindo.
E o Sol escondia-se de quando em vez todo chateado.
O Outono começava a chegar.
As árvores sacudiam as folhas, as flores fechavam os olhitos
com frio, o Sol escondia-se mais cedo, o frio abanava-se todo, umas pingas de
chuva ameaçavam as plantas, o Piegas corria para dentro de casa, o riacho
corria mais depressa e o Sr. Rudolfo muito apressado guardava as tralhas todas
no barracão antes que começasse a chover.
-Olha isto promete. Vem aí uma chuvinha. Que fresquinho
delicioso. Tantas folhas caídas. – dizia Dª Palmira.
- tenho que varrer isto. – Resmungava a Senhora.
Dª Palmira era professora , de estatura pequenina e
gordinha. Habitava numa casa de dois andares. O R/C estava todo ocupado com
brinquedos, livros, jogos e plantas.
Ao lado da casa tinha um pequeno barracão com um galo
gordo, uma galinha e os pintainhos.
Quando o novo ano letivo começava ela já tinha tudo
preparado para os seus meninos.
Depois das aulas gostava de falar um pouco sobre a vida dos animais,
das plantas e das árvores. Levava um pintainho, um ou mais ovos das suas
galinhas e algumas folhas caídas das árvores. Aproveitava para contar belas
histórias e simultaneamente explanava coisas interessantes.
- Vejam este pintainho. Tão amarelinho. E este ovo. Vejam.
Ele é envolvido em uma casca, muito perfeito sem ranhuras e forte. A natureza é
incrível. Simplesmente maravilhosa.
- A minha galinha não teve influência na forma como se
desenvolveu a casca do ovo. É o próprio ovo que faz esta maravilha. Este processo
também é visto nos ossos e nas conchas do mar.
Os meninos ficavam encantados e a Dª Palmira continuava.
Entretanto ouvia-se um barulho. Eram pingos de chuva a baterem nas janelas e
colavam-se aos vidros folhas das árvores que voavam.
- Meninos estamos no Inverno. As árvores estão-se a despir.
- As árvores são importantes porque nos dão oxigénio, senão
existia mais poluição. Nós seres humanos precisamos de respirar oxigénio. Se
ele não existisse só respirávamos dióxido de carbono e morríamos.
Dª Palmira regressava a casa sempre satisfeita porque a sua
profissão a realizava e contribuía para que aquelas crianças tivessem um futuro
promissor.
Anoitecia. A chuva caia silenciosamente. As luzes da casa da
Senhora apagavam-se.
Os meses foram-se passando e o tempo piorava. Chegava o
Inverno. A chuva tornava-se mais feroz e o vento soprava zangado com o sol. E
ele desaparecia. O frio fazia-se sentir e a Dª Palmira continuava com as suas
aulas mas sabia que a partir desta estação os seus meninos depois das aulas em
determinados dias “fugiam” para a casa do Sr. Pipas.
Com o Inverno á porta a casa do Sr. Pipas “desaparecia “ com
a neve, porque esta era tão branca que a ocultava.
O Pipinhas preparava os docinhos habituais para os meninos,
a mesa com lápis e folhas para eles desenharem e como costumadamente
cantarolava uma das suas canções para agitar os pequenotes.
Ser criança
É ter uma aliança
com a alegria e esperança
de um mundo novo e grandioso
Sou eu que digo
E tem a sua importância
Ou eu não tivesse esta grande ânsia
De ser criança
Meninos acreditem
Que vem aí
Um mundo moço
Com muita
Abastança
Felicidade
Que o diga a minha Esperança
Lá, lá, lá
Eu sou uma criança
E os meninos saltavam
e corriam felizes.
O Inverno acomodava-se
todo autoritário. Os petizes não se aborreciam pois em todas as estações
tinham aprendido algo de útil. Cada uma tinha o seu encanto e beleza.
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