quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Morte

A tarde estava tranquila.
O sol brilhava, sorria e enternecia. O vento murmurava e segredava algo que eu não compreendia. O mar batia nas rochas com muita força.

Ao longe avistei o João. Aproximava-se cada vez mais. O seu rosto estava pálido, lamuriante e os seus olhos tristes e encovados.
A sua boca murmurava algo tal como o vento.
A minha saia baloiçava levemente. As minhas pernas tremiam.

O frio começara a sentir-se.
O sol fugia. O mar batia nas rochas. O ruído que fazia era intenso. Ao meu redor tudo escurecia.
João abraçava-me. Nem uma lágrima no seu rosto e eu petrificada não me mexia.
A minha saia baloiçava, o frio entrava pelos buracos da minha camisola e o meu corpo já não o sentia.
Nem uma lágrima eu vertia, nem uma palavra da minha boca saía.

O vento finalmente segredava-me o nome que eu tanto temia. Ela viera vestida de negro, misteriosa, rápida e veloz. Odiava-a profundamente. Veio majestosamente com um manto mais negro que o negro. A sua voz ecoava ao longe. Traiçoeira, fria e calculista . Estava com pressa.
Da minha boca apenas um sussurro saiu:
- Mãe ! Ela levou-te Mãe.

1 comentário:

  1. Tenho um carinho especial por este texto :)
    Também sinto saudades da avó e acho que expressas muito bem a saudade e o choque que sentimos na altura e que de certa forma continuamos a sentir.

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